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Elas empreendem e mudam o Brasil

O empreendedorismo feminino muda para melhor a realidade familiar, social, cultural e econômica brasileira.

Marcelo Sousa, 15 de julho de 2016
mulheres-unidas1Quando elas empreendem, a atitude e o exemplo delas combatem algumas mazelas sociais brasileiras como: a violência doméstica, o desemprego e a desigualdade salarial entre gêneros. Além disso, contribuem significativamente para o desenvolvimento cultural, social e econômico do país.

A pesquisa do Senado Federal de 2015 aponta que uma a cada cinco mulheres brasileiras já foi espancada pelo marido, companheiro, namorado ou ex. No universo das maltratadas, 26% continuam convivendo com o agressor, 23% sofrem hostilidades semanais e 67% são vítimas de violências ocasionais. O Ministério Público do Estado de São Paulo esclarece que, além da falta de informação sobre a rede de atendimento, o sentimento de medo, a vergonha e a dependência econômica para a criação dos filhos estão entre as principais dificuldades da mulher sair de uma relação violenta.

A atitude empreendedora possibilita o aumento da autoestima feminina, o crescimento da renda e o sentimento de independência. A mulher que empreende jamais se submete à tirania de um homem, muito menos por interesses financeiros. Quando quiser uma vida conjugal, ela se unirá a um homem descente, capaz de agregar afetivamente à vida dela. Sem contar que este homem vai somar (não preencher) a renda familiar.

Não é fácil superar esse nível de hostilidade dentro do próprio lar, mas a Ruth Mourão provou que é possível. Depois de ter sido vítima de violência doméstica, ela denunciou, pediu ajuda para os irmãos e fugiu de Manaus sem nenhum bem material, passando a morar em Belém/PA. Aproveitando os próprios talentos de cabelereira, trabalhou em salões de beleza por alguns anos até ganhar bastante experiência e uma boa clientela. Juntou um pouco de dinheiro e pegou mais algum emprestado para montar o SPA Maria Bonita. Além de gerar dezenas de empregos diretos e indiretos, inovou no mercado paraense com o Beleza a Bordo: um happy hour num iate com sessões de beleza! O salão também oferece tratamentos sofisticados de terapia capilar e o desejado Dia de Noiva. Ela resgatou a própria autoestima e proporciona esse sentimento para centenas de mulheres que visitam o SPA.

Inserida no mercado de trabalho, a mulher tem salários entre 25% a 30% menores que o do homem, segundo o DIEESE. As empresas temem a falta de assiduidade da mulher enquanto mãe de filhos pequenos, não obstante, acreditam que elas serão menos produtivas durante a gravidez e logo após o nascimento do filho. Depois de dois anos fora do mercado de trabalho, as chances da mulher conquistar uma recolocação com um salário digno ficam bem reduzidas.

A Yve Dourado sentiu isso na pele. Ela vivia uma carreira intensa na área de RH. Pouco depois de casada, tornou-se mãe de duas crianças e decidiu se dedicar aos cuidados e educação deles, abrindo mão do emprego. Poucos anos depois, quando precisou retornar ao mercado, o perfil dela já não era mais compatível com as exigências das empresas. Então, ela decidiu unir forças com a tia dela, Sônia Serafim, que tinha algumas máquinas de costura subutilizadas. Juntas, elas fundaram a Foi a Rosa que Fez e fazem tudo o que é bonito em tecido. Elaboram presentes customizados e personalizados, desde bonecos (parecidos com os donos!) até bolsas de praia e piquenique. Além de empreenderem com muito profissionalismo, deixam marcas nos corações das pessoas presenteadas e sorrisos nos rostos dos clientes que presenteiam.

As empreendedoras evitam cultivar relacionamentos com pessoas pequenas e covardes. Elas querem ser melhores todos os dias. Melhores empresárias, mães, esposas e mulheres. Para evoluírem, buscam a convivência com pessoas que inspiram pela coragem, bondade e competência no que fazem. Quem faz o bem atrai pessoas boas.

É muito mais interessante criar um modelo de negócio online ou presencial do que procurar entrevistas de emprego. Isso depende do talento e senso de oportunidade de cada uma. Existem doceiras e massoterapeutas que ganham muito mais do que Gerentes de Relacionamento. O desejo iludido pela “estabilidade financeira” inibe muitos talentos comerciais e artísticos. A crise brasileira provou que não existe estabilidade no emprego público, privado e em lugar nenhum. Assumir riscos e inovar são atitudes necessárias para o crescimento de qualquer profissional.

A Daniela Triñanes estudou TI no final dos anos 80. Ela apelidava a faculdade de “Fatóquio”, na época que a sala de aula era cheia de homens e japoneses. Ela construiu a carreira nos anos 90 e logo se destacou. Apesar do crescimento contínuo, ela priorizou a liberdade e decidiu arriscar como empreendedora, tornando-se sócia do marido que começava uma empresa no segmento de Inteligência de Mercado: a IBIZ Tecnologia. Uma das principais inovações do casal foi o IBIZ Licita, uma solução que oferece informações preciosas do Mercado Público e Privado para as empresas se destacarem da concorrência. Hoje, a IBIZ conta com uma equipe de mais de 30 jovens antenados e ajudou dezenas de empresas brasileiras a vencerem licitações, oferecendo produtos e serviços de qualidade que beneficiam os órgãos públicos e, consequentemente, o cidadão brasileiro.

Não tenha vergonha de começar pequeno.Se as suas escolhas profissionais forem norteadas pela vaidade, pressão social ou familiar, as chances de se frustrar serão enormes. O máximo que você vai conseguir com esse tipo de escolha, por tempo limitado, é um salário mediano, alguns benefícios e uma síndrome do pânico de tanto estresse. Reconheça os seus talentos e reúna todos os seus recursos (mais o de quem você convencer a contribuir) para vender o que você gosta de fazer. Podem ser cupcakes, suco detox ou roupas e acessórios. O que importa é seguir o seu próprio coração.

Felizmente, a realidade brasileira está mudando para melhor. De acordo com o Sebrae, entre 2004 e 2014, houve um aumento de 21,4% na quantidade de empreendedoras no país. No mesmo período, o acréscimo no público masculino que deu início a uma empresa foi de 9,8%.

Ainda segundo o Sebrae, 52% dos pequenos negócios com até três anos e meio de funcionamento no Brasil são comandados por mulheres. Elas também representam a maioria em relação ao nível de escolaridade: 33% das pequenas empreendedoras têm curso superior, contra 23%, no caso dos homens.

Saia da posição de vítima e nenhum predador vai abusar moralmente de você. Somente existirão predadores enquanto existirem vítimas. No lugar de dedicar energia para protestar e exigir direitos, é melhor se concentrar em produzir e inovar. A comunidade, o seu condomínio, até a sua família estão cheios de problemas para serem resolvidos e desejos para serem atendidos. As soluções para várias dessas necessidades estão dentro de você. A sua coragem e competência farão de você mais que uma empresária, permitirão que você seja a protagonista da sua própria história, servindo de exemplo para milhões de brasileiros que desejam um país melhor.

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